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A voz era do sócio, mas era I.A. - sua empresa está preparada para essa situação?!?!?

Foto do escritor: Tainá Leal Vieira do Prado
Tainá Leal Vieira do Prado
há 6 dias
4 min de leitura

Com o avanço da inteligência artificial, áudios e vídeos podem ser manipulados para imitar pessoas reais. Entenda os riscos dos deepfakes para as empresas e como fortalecer os controles internos para prevenir fraudes.


Imagine receber uma ligação do seu sócio solicitando uma transferência urgente. Você reconhece a voz, conhece a pessoa e não tem motivos aparentes para desconfiar. O pagamento é realizado. O problema? Seu sócio nunca fez aquela ligação.


A situação é hipotética, mas o risco merece atenção. Com o avanço da inteligência artificial, a possibilidade de reproduzir artificialmente vozes, imagens e vídeos tornou-se uma preocupação concreta para a segurança digital e para a gestão empresarial.


Em julho de 2026, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicou um estudo específico sobre deepfakes, abordando o funcionamento dessa tecnologia e os desafios que ela apresenta para a proteção de dados pessoais e a segurança dos ambientes digitais. O documento também destaca a utilização indevida desses recursos em golpes e fraudes.


A questão, portanto, vai além da tecnologia. Se uma fraude consegue reproduzir a voz de alguém em quem você confia, quais mecanismos sua empresa utiliza para verificar se uma ordem é realmente legítima?


O que são deepfakes e por que as empresas devem prestar atenção?


Os deepfakes são áudios, imagens ou vídeos criados ou modificados artificialmente, com o auxílio de inteligência artificial, para produzir conteúdos que podem parecer autênticos.


Na prática, essa tecnologia pode ser utilizada para imitar a voz de um administrador, manipular a imagem de um executivo ou produzir um vídeo que atribua a uma pessoa uma declaração que ela nunca fez.


Embora existam aplicações legítimas para essas ferramentas, seu uso indevido pode favorecer tentativas de fraude, falsidade de identidade e manipulação de informações.

No ambiente empresarial, o risco merece atenção especial porque muitas operações dependem de comunicações rápidas e de relações de confiança. Uma solicitação de pagamento, uma alteração de dados bancários ou uma autorização extraordinária pode ser transmitida por telefone, mensagem ou videoconferência.


O problema surge quando a aparência de autenticidade passa a ser utilizada como principal critério para validar uma decisão.


Uma voz familiar não comprova, por si só, a identidade de quem está falando. Da mesma forma, uma imagem ou um vídeo aparentemente legítimo não devem ser considerados provas definitivas da autenticidade de uma comunicação.


Isso não significa que toda ligação precise ser tratada como suspeita. Significa que operações relevantes precisam contar com procedimentos de verificação compatíveis com os riscos envolvidos.


Como proteger sua empresa?


A prevenção começa com medidas práticas: confirmar solicitações financeiras por um segundo canal confiável, estabelecer regras claras de autorização, separar as funções de solicitação e aprovação de pagamentos e orientar os colaboradores a não ignorar os procedimentos internos por pressão ou urgência.


É aqui que o Compliance assume um papel estratégico. Controles internos não podem existir apenas no papel: precisam funcionar justamente quando uma solicitação parece legítima e a pressão para agir é maior.


Também é importante avaliar os riscos relacionados à proteção de dados pessoais. Dependendo das circunstâncias, a utilização indevida de voz, imagem ou outras informações pode levantar questões relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Isso não significa que todo deepfake represente automaticamente uma violação da lei ou que a empresa seja necessariamente responsável por uma fraude praticada por terceiros. A análise depende das circunstâncias concretas.


E se a próxima ligação for para sua empresa?



A inteligência artificial oferece oportunidades legítimas, mas também exige a revisão de práticas de segurança que antes pareciam suficientes.


A pergunta é simples: se alguém utilizasse a voz de um dos sócios para ordenar uma transferência amanhã, os procedimentos da sua empresa impediriam o pagamento ou bastaria uma ligação convincente para autorizar a operação?


Talvez seja o momento de revisar os controles internos, os fluxos de autorização e a preparação dos colaboradores para esse tipo de situação.


Afinal, a tecnologia pode tornar uma fraude mais convincente. Mas é a qualidade dos processos de prevenção que pode fazer a diferença entre uma tentativa de golpe e um prejuízo efetivo.


Se a resposta não for clara, talvez seja o momento de revisar os controles internos, os procedimentos de autorização e as medidas de segurança adotadas pelo negócio.


A prevenção de riscos digitais não depende apenas de acompanhar a evolução da tecnologia. Depende, sobretudo, de preparar a empresa para tomar decisões seguras mesmo quando aquilo que parece verdadeiro não é.


Se a sua empresa ainda não sabe como se preparar para esse cenário, este pode ser o momento de rever seus procedimentos internos, seus mecanismos de autorização e suas medidas de segurança.


Nosso grupo especializado em Direito Digital, Compliance e Proteção de Dados (LGPD) está pronto e à disposição para auxiliar sua empresa nessa jornada, identificando riscos, orientando a implementação de medidas preventivas e contribuindo para o desenvolvimento de práticas de governança compatíveis com os desafios do ambiente digital.


Afinal, a melhor hora para fortalecer a segurança do seu negócio é antes que uma fraude coloque tudo à prova. Entre em contato com nossa equipe e descubra como podemos ajudar sua empresa a se preparar para os desafios da inteligência artificial.


Tainá Leal Vieira do Prado

OAB/PR 107.315

 
 
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